Autismo e Comunicação: O que a Fonoaudiologia Pode Fazer?
Postado em: 04/04/2025
A comunicação é um dos aspectos mais impactados no Autismo — Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Desde o início do desenvolvimento, muitas crianças autistas apresentam dificuldades em compreender e usar a linguagem verbal e não verbal, o que interfere diretamente na forma como interagem com o mundo.
A fonoaudiologia surge como uma das principais áreas envolvidas na promoção da comunicação funcional, adaptada às necessidades específicas de cada criança.
A seguir, confira exemplos de como o fonoaudiólogo pode ajudar nesse cenário!
A comunicação no autismo
Nem toda criança com “Autismo“ apresenta ausência total da fala, mas muitas têm atrasos, dificuldades de compreensão, uso limitado da linguagem para se comunicar ou uso restrito e repetitivo de palavras.
Outras crianças podem falar com vocabulário avançado, mas ainda assim demonstrar dificuldades em manter conversas, interpretar expressões faciais ou responder adequadamente em interações sociais.
A fonoaudiologia atua em todas essas situações, com estratégias que buscam ampliar as formas de comunicação e fortalecer a interação social.
A avaliação fonoaudiológica como ponto de partida
Antes de iniciar qualquer intervenção, é fundamental compreender o perfil comunicativo da criança.
A avaliação fonoaudiológica no autismo considera não apenas a fala, mas também a intenção comunicativa, o uso de gestos, o contato visual, a imitação, a compreensão de linguagem e o comportamento em situações sociais.
Com essas informações, o fonoaudiólogo define objetivos terapêuticos que vão além de estimular a fala, focando também na comunicação funcional.
Muitas vezes, o foco inicial é ampliar as possibilidades da criança se expressar, seja por sons, palavras, gestos, imagens ou sistemas alternativos de comunicação.
A prioridade é garantir que ela consiga se fazer entender, reduzindo frustrações e ampliando sua participação no ambiente familiar, escolar e social.
Terapias baseadas no brincar e na interação
Para crianças com autismo, a terapia fonoaudiológica costuma ter como base o brincar, com objetivos bem definidos por trás de cada atividade lúdica.
O uso de brinquedos, jogos, livros e objetos do interesse da criança ajuda a estabelecer vínculos e a tornar a comunicação mais espontânea.
Além disso, a fonoaudiologia trabalha o desenvolvimento das habilidades sociais e pragmáticas da linguagem, como:
- Esperar a vez de falar;
- Iniciar e manter uma conversa;
- Entender o que o outro sente ou pensa;
- Utilizar diferentes formas de comunicação conforme o contexto.
Comunicação alternativa e aumentativa (CAA)
Para crianças não verbais ou com fala muito limitada, a Comunicação Alternativa e Aumentativa é uma das estratégias mais relevantes.
Ela pode incluir o uso, por exemplo, de:
- Pranchas de comunicação com imagens;
- Cartões ilustrados;
- Aplicativos em tablets ou celulares;
- Gestos e sinais manuais.
A CAA não impede o desenvolvimento da fala, pelo contrário: muitas crianças começam a falar depois de se comunicarem com esses recursos, pois passam a compreender que podem interagir com o mundo de forma efetiva.
A fonoaudiologia também oferece suporte às famílias, orientando os responsáveis sobre como estimular a comunicação no dia a dia.
Isso inclui ensinar como responder às tentativas de comunicação da criança, como ampliar vocabulário durante as rotinas e como ajustar a linguagem de forma acessível.
Com o suporte adequado e estratégias personalizadas, crianças com autismo podem desenvolver formas muito eficazes de se comunicar, ampliando sua autonomia e qualidade de vida.
A fonoaudiologia atua nesse processo com conhecimento, sensibilidade e adaptação às necessidades únicas de cada indivíduo no espectro. Agende uma consulta para que eu possa conhecer seu pequeno!
Camila Koszka
Fonoaudióloga Infantil
CRFa 2-15.593
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